IV BitConf: saiba tudo que aconteceu por lá

Conferência Brasileira Sobre Bitcoin e Criptomoedas.

Nos dias 05 e 06 de maio/2018, aconteceu em São Paulo a sexta edição da BitConf, um dos principais eventos sobre criptomoedas do Brasil, que foi criado e é apresentado por Wladimir Crippa, uma personalidade influente no ecossistema das criptomoedas, e foi quem inclusive levou o tema pela primeira vez em uma Campus Party.

Durante dois dias de palestras, a BitConf mostrou, mais uma vez, que o Bitcoine a blockchain não são apenas um modismo, e sim uma forma de pensar e um estilo de vida, uma tecnologia que tem o potencial de transformar a sociedade. Foram mais de 30 palestrantes, com importantes players do mercado brasileiro e mundial e startups que pretendem desenvolver soluções para um nova sociedade “descentralizada”. Confira quais foram os principais temas e acontecimentos da IV BitConf.

Crítica ao posicionamento das startups brasileiras de criptomoedas

No primeiro dia de evento, Rafael Steinfield, CEO da Bitwolf, fez questão de desmistificar alguns assuntos em torno do Bitcoin e das demais criptomoedas, mostrando que fraudes, pirâmides e lavagem de dinheiro sempre existiram independente das moedas digitais. Porém, a maior polêmica levantada por Steinfield durante sua apresentação foi uma crítica ao posicionamento das startups brasileiras de criptomoedas, especialmente as exchanges, que têm se juntado em diferentes associações (hoje no Brasil já existem três), enquanto o melhor seria se todas elas unissem forças para chegar no mesmo objetivo.

A importância da conscientização sobre as pirâmides financeiras

Durante todo o evento, muitos palestrantes comentaram sobre os cuidados envolvendo fraudes e esquemas de pirâmides. Ainda no sábado, a advogada Helena Margarido palestrou especificamente sobre pirâmides financeiras, detalhando o que são, quais suas características, como identificar esquemas fraudulentos, etc. Margarido usou o caso da MinerWorld como exemplo.

Bitcoin ou Bitcoin Cash

Antes mesmo do evento, Roger Ver, ou “Jesus do Bitcoin”, como é conhecido por muitos, cedeu uma entrevista ao Criptomoedas Fácil, na qual anunciou que iria criar polêmica durante sua apresentação. Atualmente, Ver defende com unhas, dentes e influência (ele é dono do domínio Bitcoin.com) o Bitcoin Cash, criptomoeda que ele também é um dos principais “criadores”. Durante a BitConf, Ver afirmou que o Bitcoin Cash é a versão mais fidedigna da criação de Nakamoto e que ele certamente vai superar o Bitcoin (core).

Como era o esperado, os 20 minutos da participação de Ver e suas afirmações não foram recebidas de forma unânime pela plateia, que nos corredores do evento discutiam suas opiniões, alguns concordavam com Ver e mostravam a alta de quase 20% que o BCH exibia no momento, enquanto outros, literalmente “pediam a cabeça” do Roger.

Consenso e Blockchain

Enquanto Roger Ver causou discórdia, Carl Amorin convidou a platéia ao consenso. O integrante do Blockchain Research Institute falou das potencialidades da Blockchain e os desafios da tecnologia para esta nova “fase”, na qual instituições tradicionais realizam provas de conceito e disponibilizam aplicações para o usuário comum baseadas na tecnologia, como é o caso do Banco Santander, no Brasil.

Consenso que também esteve presente na palestra de abertura de Wladimir Crippa, que, entre outros pontos, destacou o crescimento do mercado cripto nos últimos anos. Crescimento que não deu-se apenas entre o público geek mas também entre pessoas fora deste universo, grandes instituições ligadas ou não à tecnologia, mídia, entre outros. Epaminondas Albuquerque também esteve presente falando sobre a importância do Bitcoin e da Blockchain em quebrar tabus relacionados à centralização.

Criptomoedas e projetos

Como nem só de Bitcoin vive o universo das criptomoedas, não faltaram palestras para demonstrar o potencial de outros projetos, como a Decred, com Jake Yocom-Piatt e João Ferreira, a Dash, com Rodrigo Digital e Nano, com o jovem Bruno Garcia. Todos eles falaram sobre seus projetos, abordando suas potencialidades e como cada um deles pode ser interligado às aplicações tradicionais para modificação e aprimoramento.

Palestrantes como Paulo Aragão, um dos fundadores do Criptomoedas Fácil e integrante do projeto SingularDTV, assim como Fernando Henrique de Sousa, também integrante do CF e um dos líderes do projeto Insane Machina Arts, mostraram como o Brasil também tem liderado o campo de inovação com projetos relacionados às criptomoedas na América Latina. Felipe Sant Ana Pereira, da Paratii e Rodrigo Marques, da Atlas, também exploraram esta vanguarda nacional.

Exchanges versus P2P

A principal porta de entrada para o universo cripto certamente é a aquisição de ativos criptográficos e o poder das exchanges neste contexto é enorme. Como mostrou o Criptomoedas Fácil, o lucro das exchanges já começa a superar o lucro de bancos tradicionais pelo mundo, como foi o caso da Binance vs Deutsche Bank, o maior banco alemão.

Ricardo Rozgrin da Braziliex, e Fernando Bresslau da Ripio, assim como Marcelo Miranda da FlowBTC e Joel de Souza da BRE Coins dividiram atenção com Jhonny Rich e Jéssica Lima, ambos vendedores P2P renomados no mercado brasileiro, que falaram não apenas do mercado, mas também das prospecções para o futuro.

Amplamente esperadas, as apresentações de Carlos L. Rischioto da IBM e Gustavo T. Paro da Microsoft Brasil não vieram com grandes anúncios para o mercado. Representando gigantes mundiais do setor de tecnologia, ambos demonstraram como as empresas vêm trabalhando com blockchain, aplicando e desenvolvendo provas de conceito, sem contudo trazer algo de realmente “novo”.

Entretanto, este, certamente, foi o principal destaque da BitConf, grandes players mundiais dividindo atenção com novos projetos, como o da CriptoReal, um dos patrocinadores do evento. Tudo para mostrar que a diversidade de opiniões, projetos e ideias é essencial, não apenas para o desenvolvimento de uma economia descentralizada.

Por: Criptomoedas  Fácil

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